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terça-feira, 28 de outubro de 2008

Sermão de C. F. W. Walter para a Reforma (1876)

Amados, quando empregava toda a diligência em escrever-vos acerca da nossa comum salvação, foi que me senti obrigado a corresponder-me convosco, exortando-vos a batalhardes, diligentemente, pela fé que uma vez por todas foi entregue aos santos. (Judas 1.3 RA) 

Oração: Senhor Jesus, a luta que nossos pais travaram no passado foi árdua, mas gloriosa a vitória que presenteaste a eles. Por isso nós te louvamos, hoje, jubilosos e alegres. Pois o que nossos pais sofreram em prol de tua santa e pura Palavra é hoje nossa preciosa herança e de nossos filhos.

Mas, esta santa luta ainda não terminou, pois nosso inimigo procura roubar-nos continuamente o que nós deste. Daí a necessidade da contínua admoestação: Batalhai diligentemente pela fé, que uma vez por todas foi entregue aos santos.

Por isso clamamos a ti, ó Senhor: Ajuda-nos para, como nossos pais, a lutar para que retenhamos a vitória, sejamos coroados por ti para podermos jubilar com nossos pais por toda a eternidade. Amém. 

Introdução

Estimados irmãos na fé luterana, confissão e luta.

A história da Reforma, que relembramos e celebramos hoje, é a história de uma luta de 30 anos, iniciada em 1517, quando Lutero publicou suas 95 teses contra as abomináveis indulgências, até ao faleceu em 1546. Esta luta não foi tanto uma batalha física, mas espiritual. De um lato estava Lutero, o monge indefeso, sem nenhuma arma em suas mãos, somente a Bíblia, apoiado por poucos temerosos amigos; do outro lado estava o bem apoiado Papa de Roma com sua espada de dois gumes, do poder temporal e do poder espiritual. O Papa de Roma retinha em suas mãos o poder sobre a Igreja e o poder sobre o Estado, suportado por um incontável número de prelados, cardeais, bispos e arcebispos, sacerdotes, monges e freiras, bem como da mais alta e poderosa autoridade do império naquele tempo do cristianismo, o Imperador. De um lado, o erro, do outro lado, a verdade. De um lado, a palavra humana, do outro lado, a palavra de Deus. E o principal, de um lado, de forma invisível, Jesus Cristo, o rei da verdade, o Senhor da salvação com todos os seus anjos, do outro lado Satanás, o príncipe das trevas e da ruína, com todo seu exercito infernal.

Hoje, 3591 anos após o dia 31 de outubro de 1517, no qual Lutero declarou guerra ao Papa de Roma, pregando as 95 teses contra o tráfico das Indulgências, cingido da espada do Espírito. Como Davi, no passado, com sua funda contra Golias; assim Lutero saiu de sua escura cela do mosteiro em nome do Senhor, do Deus vivo, e deu o sinal a todos os fiéis que estavam do lado de Deus e da verdadeira igreja, para o ataque e a guerra mais santa já travada nesta terra.

Daí por diante seguiu-se uma luta após a outra, tanto oral como por escrito. Em 1518, Lutero venceu em na cidade de Augsburgo um duelo secreto com o cardeal Caetano. A discussão girou em torno da palavra "revoco", isto é, revogo. Toda a retórica do astuto italiano foi em vão. Ele não conseguiu levar Lutero a revogar. Lutero deixou a arena como vitorioso.

No ano seguinte, em 1519, seguiu um debate público entre Lutero e o astuto monge dominical, Dr. Eck. Neste debate em Leipzig, o tema foi a autoridade do Santo Papa e dos Concílios. Após o debate todos os que são da verdade, mesmo alguns papistas, atribuíram a vitória a Lutero.

Dois anos depois, em 1521, Lutero foi convocado para comparecer, pessoalmente, à Dieta de Worms, diante do Imperador, para se defender e ser julgado. Todos seus amigos estremeceram, mas Lutero não. Ele afirmou: "E se houver tantos demônios como telhas nos telhados em Worms eu irei. E ainda que meus inimigos fizessem, entre Wittenberg e Worms, uma fogueira que se erguesse até aos céus, eu haveria de comparecer em nome do Senhor e me enfiaria na boca do diabo, entre os seus enormes dentes, para confessar Cristo, entregando tudo nas sábias mãos de Deus." Assim começou a árdua luta. E vejam! Como Daniel na cova dos Leões e os três homens no forno ardente, saíram ilesos, assim Lutero deixou Worms sem ser vencido. Sua declaração final foi e permanece: "Aqui estou. Não posso de outra forma. Que Deus me ajude. Amém."

Uma segunda batalha árdua se desenrolou na entrega da Confissão na Dieta de Augsburgo, no ao de 1530. Por Lutero ter sido excomungado pele Papa e ser proscrito pelo Imperador, ele não pôde comparecer pessoalmente junto com os demais confessores nesta grande e decisiva Dieta. Porém, como comandante em chefe eleito por Deus para esta luta, não foi somente ele que pelas teses de Torgau, por assim dizer, ditou o plano dos artigos de paz, mas foi ele também que durante a Dieta, por suas cartas diárias de Coburg dava orientação e ânimo ao pequeno grupo em Augsbrugo. E o que aconteceu? O que Lutero compôs e cantava durante a árdua batalha: Castelo forte, é nosso Deus, defesa e boa espada; da angústia livra desde os céus, nossa alma atribulada. – Isto se cumpriu maravilhosamente. Também esta decisiva luta foi vencida. Apesar das ameaças do Imperador. No encerramento da Dieta, cantava-se nas tenda dos justos, em toda a cristandade a vitória.

A história da Reforma, estimados em Cristo, não é somente a história de uma luta para fora, mas também de uma luta espiritual doméstica.

Após Zwínglio, o pregador suíço, ter concordado com Lutero e lutado corajosamente com ele pela palavra de Deus contra as doutrinas humanas do papado, Zwinglio desviou-se da verdade e declarou: É contra a razão humana crer que o corpo e o sangue de Cristo estejam na Santa ceia. Com espanto Lutero notou que Zwínglio colocou a razão humana em lugar do Papa. Após troca de várias correspondências, marcaram, no ano de 1529 um debate na cidade de Marburgo. Seria uma luta decisiva. A disputa girou em torno da frase: Será que as palavras do onipotente Filho de Deus: "Isto é o meu corpo, isto é, o meu sangue", estão firmes ou esta palavra de Deus deve dar lugar à razão e ser interpretada figurativamente? Esta foi a segunda guerra. Esta pergunta foi decidida em Marburgo. E graças a Deus! Também aqui, como em Worms, Lutero não cedeu. Assim Lutero livrou a igreja tanto da autoridade do Papa como da autoridade da razão humana.

Lutero lutou constantemente até ser chamado à pátria celestial, à paz celestial onde foi, como esperamos, coroado como todos os fiéis lutadores, para celebrar o triunfo de Cristo eternamente.

O que segue agora, irmãos e irmãs? Será que a vitória da Reforma trouxe paz à igreja? Não! A igreja só triunfará no céu, aqui na terra ela é uma igreja militante, isto é, ela precisa lutar até soar a última trombeta. Isto é mostrado em todos as páginas da Bíblia, e entre outras escreve o apóstolo Judas Tadeu: Exortando-vos a batalhardes, diligentemente, pela fé que uma vez por todas foi entregue aos santos.

À base destas palavras quero responder a pergunta:  

Porque não podemos nem devemos parar de lutar pela verdadeira doutrina de nossa igreja?  

  1. Porque a doutrina pura de nossa igreja não é nossa propriedade, mas um bem que nos foi confiado para fiel administração;
  2. Porque a perda desse tesouro é algo mais terrível do que a luta e discórdia entre as pessoas.
  3. Porque esta luta é nos ordenada por Deus, por isso ela é uma luta abençoada aqui e na eternidade.
I - Parte
A primeira razão pela qual se supõe ser hora de parar de lutar pela doutrina pura de nossa igreja é, como muitos pensam, ser esta luta contra o amor.

Dizem que Cristo o afirmou com as seguintes palavras: Nisto conhecerão todos que sois meus discípulos: se tiverdes amor uns aos outros. (João 13.35 RA) O apóstolo João também afirma: Nós sabemos que já passamos da morte para a vida, porque amamos os irmãos; aquele que não ama permanece na morte. (1 João 3.14 RA) E o apóstolo Paulo atesta: Ainda que eu fale as línguas dos homens e dos anjos, se não tiver amor, serei como o bronze que soa ou como o címbalo que retine. Agora, pois, permanecem a fé, a esperança e o amor, estes três; porém o maior destes é o amor. (1 Coríntios 13.1,13 RA) Quando os gálatas brigaram entre si, o apóstolo Paulo lhes recomendou: Se vós, porém, vos mordeis e devorais uns aos outros, vede que não sejais mutuamente destruídos. (Gálatas 5.15 RA)

Por mais certo que sejam estas afirmações de que o amor aos irmãos é o indispensável sinal dos verdadeiros cristãos, que sem amor todas as outras virtudes são somente aparências, e todos os dons, por mais altos que sejam, são inúteis, e que lutas e brigas só trazem ruína; mas à base disto não se pode afirmar que tenha chegada a hora de abrirmos mão da luta pela doutrina pura em nossa igreja. Pois o apóstolo também escreve: Exortando-vos a batalhardes, diligentemente, pela fé que uma vez por todas foi entregue aos santos. Da verdadeira fé o apóstolo afirma que esta luta lhe é ordenada. A verdadeira fé ou o que é o mesmo, a verdadeira doutrina não foi simplesmente entregue aos santos para que pudessem fazer com ela o que bem quisessem. Ela não foi entregue para ser sua propriedade sobre a qual eles têm plena liberdade para fazer com ela o que bem quiserem. Não. Ela lhes foi entregue como um bem alheio, como um bem e propriedade de Deus, confiada a eles, para que como servos fiéis a administrem e a conservem bem.

Julguem, portanto, vocês mesmos: Será que o amor requer de um administrador que ele dê algo do que lhe foi confiado a outrem? Isente os devedores do seu senhor? Permita que outros tirem dele os tesouros que seu senhor lhe confiou? Por exemplo, será que foi amor que moveu o administrador infiel a perdoar ao que devia cem latas de azeite, dizendo ao credor, senta-te e escreve cinqüenta? (Lc 16.1-13). Não, isto é infidelidade, sim roubo e furto?

É por esta razão que Jesus o chama de "administrador infiel" (Lc 16.8). Seria amor se um general no campo de batalha, para evitar a luta e o combate, entregasse ao inimigo uma porta do muro que lhe foi confiado para defendê-la? Não seria tal general chamado a prestar contas de sua ação e condenado como traidor da pátria? Seria amor tirar bens de outrem para fazer o auxiliar os pobres? E finalmente, seria amor se Lutero, ao notar que a verdade que ele reconheceu na Bíblia, por suscita tantas discussões e brigas, resolvesse silenciar imediatamente? Julguem vocês mesmos. Seria amor se nós luteranos, na luta pela doutrina pura que nos foi concedida para administrá-la fielmente, abríssemos mão dela? Ou, a fim de fazer amigos e a passar por pessoas de amor e paz, deixasse a verdade de lado? Não! Isto não seria amor cristão, nem amor para com o próximo, muito menos amor a Deus, mas amor próprio. Seríamos nós administradores fiéis do grande tesouro que Deus nos confiou? Não, pelo contrário, seríamos administradores infiéis de bens alheiros, o que é roubo diante de Deus. E ladrões não herdam a vida eterna.

Na verdade, nosso amor deve estar pronto a, por amor à paz, nas coisas sobre as quais temos poder, ceder, mas não sobre coisas sobre as quais não temos o poder de decisão. Nosso amor deve estar pronto a sacrificar tudo o que temos, mesmo nossa vida se necessário. É por isso que no ano 1522, Lutero disse a seus oponentes: "Meu amor está pronto a morrer por vocês...; mas a fé ou a Palavra vocês devem adorar. De nosso amor vocês podem requerer o que quiserem; nossa fé, porém, vocês devem temer." (Walch, XIX, 660).

Queridos amigos, colaboradores, confessores e lutadores luteranos, não nos deixemos enganar nem amedrontar, se hoje nos acusam de sermos pessoas sem amor, por lutarmos pela pureza de doutrina em nossa igreja.

Mantenham em mente: a doutrina é, como diz o nosso texto, a fé, que uma vez por todas foi entregue aos santos. Ela não é nossa propriedade, não temos o poder nem a liberdade de fazer o que bem nos parecer, de abrir mão dela. Ela é propriedade de Deus, que nos foi confiada para administrá-la e não somente nós, mas toda a cristandade, sim, o mundo inteiro deve preservá-la e transmiti-la de forma inalterada à posteridade. No dia do juízo final, Deus pedirá contas, especialmente a nós luteranos, também com respeito à conservação da doutrina pura, quando nos dirá: Presta contas de tua administração.

Sabemos que é algo muito doloroso alguém ser taxada como uma pessoa sem amor. Tais acusações quebram o coração. Este ultraje, no entanto, todos os fiéis lutadores tiveram que carregar. Por isso nossos bem-aventurados pais afirmam em nossas Confissões: Dissentir do consenso de tantas gentes e ser chamado de cismático é grave. Mas a autoridade divina manda a todos que não sejam aliados e propugnadores de impiedade e injusta crueldade." Do poder e Primado do Papa, 42; LC, pág. 353) Assim, para que o mundo veja que em nós luteranos habita o amor, queremos mostrá-lo de forma abundante nas coisas materiais; mas em questões de doutrina e de sua Palavra, que nos foi dada na Escritura Sagrada, a palavra de Cristo, queremos guiar-nos pela palavra de Jesus: Quem ama seu pai ou sua mãe mais do que a mim, não é digno de mim. (Mt 10.37)

II - Parte

Estimados irmãos e irmãs, em segundo lugar, nós não podemos abrir mão da luta pela doutrina pura em nossa igreja porque a perda desse tesouro, é muito pior do que todas as brigas, e discórdias entre as pessoas.

Na verdade, a luta e as discussões que se travam em toda a cristandade, não somente entre diversas comunidade cristãs, mas também entre membros da mesma igreja é uma tristeza muito grande. Não há palavras, nem lágrimas de sangue suficientes para lamentar este triste fato. É lamentável ver que aqueles que querem ser filhos de um e mesmo Pai celestial, servos do mesmo Salvador, templos do mesmo Espírito Santo, que estes brigam entre si. É lamentável que aqueles que deveriam estar unidos como um só homem, para lutarem contra os inúmeros inimigos do cristianismo, que estes puxam suas espadas um contra o outro. Como o diabo deve estar se alegrando e pulando ao ver esta desunião entre os cristãos? Muitos incrédulos se chocam nisso e não querem saber mais nada do cristianismo, pois dizem: Como o cristianismo quer ser ela a única religião que salva, se os membros brigam tanto entre si? E quantos cristãos fracos já se escandalizam nisso e abandonaram a fé, voltando ao mundo? – Como, indagam muitos, não é tempo de nos luteranos pararmos com esta luta pela doutrina? Que nós, como Isaías profetizou, transformemos nossas espadas em arados e nossas lanças em foices? (Is 2.4) É tempo de estendermos as mãos a todos os cristãos para reconciliação, para formar uma grande comunidade de paz e união?

Sem dúvida, estimados irmãos. Se nos luteranos pudéssemos comprar com o nosso sangue um belo e geral tratado de paz, nenhum luterano, nem pregador, deveria considerar seu sangue demasiadamente valioso, antes com mil alegrias derramá-lo. E mesmo assim, não devemos abrir mão de nossa luta pela doutrina pura em nossa igreja. É isto que a Sagrada Escritura nos ensina. É isto que também o nosso texto no-lo mostra: Exortando-vos a batalhardes, diligentemente, pela fé que uma vez por todas foi entregue aos santos. (v.3) Vejam, por o apóstolo escrever aos cristãos a cerca de nossa comum salvação. Por isso ele considera necessário, exortá-los em primeiro lugar para que lutem pela fé. Conforme esta explicação apostólica, não se trata aqui de algo insignificante, mas de nossa comum salvação.

Como? Será que podemos ou devemos parar a luta pela doutrina bíblica pura? Não! Nunca! – Sim, quando se trata de dinheiro e bens, honra pessoal, dias aprazíveis, em fim da luta por coisas terrenas: ai de nós, se não perguntarmos se isto promoverá a paz no mundo e na igreja, se através disso os incrédulos e fracos na fé não serão escandalizados, ou se através disso o reino de Deus será impedido. Uma outra coisa, no entanto, é, se nós lutamos pela fé, que foi dada aos santos.

Por isso todos os profetas e apóstolos e o próprio Cristo lutaram ininterruptamente pela verdadeira fé. Jesus afirma: Não penseis que vim trazer paz à terra; não vim trazer paz, mas espada.  Pois vim causar divisão entre o homem e seu pai; entre a filha e sua mãe e entre a nora e sua sogra.  Assim, os inimigos do homem serão os da sua própria casa. (Mateus 10.34-36 RA) A luta que surge por causa da doutrina pura é, por isso, não uma luta desastrosa, mas abençoada. Jesus ordenou lutar.

Se ninguém falsificasse a palavra de Deus, não haveria necessidade de lutar, então isto seria grave pecado. Mas por a natureza carnal, o mundo e Satanás tratarem continuamente de falsificar a palavra de Deus ou a doutrina pura - e ela nunca foi tanto falsificada quanto em nossos dias - vindo milhares de pessoas a perecerem eternamente devido a doutrina falsa. Será que diante disso podemos ou devemos permanecer calados só para não perturbar a paz terrena? E o que é pior, perder a paz terrena ou perder a paz da alma; ser roubado da paz terrena ou ser roubado do tesouro que nos traz a paz eterna? Não disse Jesus: Pois que aproveitará o homem se ganhar o mundo inteiro e perder a sua alma? Ou que dará o homem em troca da sua alma? (Mateus 16.26 RA)

Vejam, o que seria de nós se no quarto século, quando Arias atacou a divindade de Cristo, se Atanásio e outros não tivessem combatido esta falsa doutrina? Se no quinto século, quando Pelágio atacou a doutrina da salvação somente pela graça de Cristo, se Agostinha ou outros não tivessem combatido esse erro? Quando no décimo século, o Papado falsificou a maioria das doutrinas de Cristo, se Lutero e outros não tivessem combatido os erros? Ou quando no final do século 17, ao o racionalismo penetrar na igreja, se ninguém o tivesse combatido, simplesmente para evitar lutas e inimizades e manter a paz? O que seria da palavra de Deus? Onde estaria a igreja hoje? Onde estaria a doutrina correta que conduz ao céu? Tudo isso já teria desaparecido e milhares de pessoas rumariam para a eterna condenação.

Por isso, irmãos e irmãs, lamentamos de coração que continuamente se levantam falsos profetas que atacam a doutrina pura de nossa igreja, causando lutas e discussões na igreja; mas não lamentamos o fato por Deus, despertar continuamente pessoas que combatem os erros, por isso, louvamos e sejamos agradecidos a Deus, lembrando que: nossa salvação está em jogo.

III - Parte

E agora, irmãos e irmãs, o mais importante e a razão mais irrefutável pela qual não podemos abrir mão da luta pela doutrina pura é esta: O conflito nos é ordenado por Deus. Por isso ela, certamente, será abençoado por Deus no tempo e na eternidade. Permitam-me falar um pouco sobre isto e concedam-me mais um pouco de vossa atenção.

Temos hoje muitas cristãos bem intencionados que afirmam: Não rejeitamos todas as lutas pela doutrina pura no passado, pois nossos pais lutaram com toda a seriedade pela mesma. Assim, por exemplo, foi correto que Lutero, há quase 500 anos atrás, lutou corajosamente até à morte pelo evangelho contra as falsificações do papado. Esta luta teve um resultado como nunca houve na igreja.

Mas agora é tempo de por um fim a esta luta pela doutrina verdadeira, na qual cristãos lutam um contra o outro. Agora é tempo de juntos edificarmos a igreja em paz. Pois qual é o resultado de todas essas lutas?  Nenhum outro do que novas divisões e confusões na cristandade. Será?

Por bem intencionados que esses pregadores da paz sejam, eles estão labutando num grande erro.

Primeiro, não é verdade que em nossos dias, nos quais a luta pela verdadeira doutrina já dura 30 anos, tendo como resultado maiores divisões e confusões. Pelo contrário – e isso seja dito unicamente para a glória de Deus – o resultado da luta é que a igreja da reforma com suas doutrinas claras e puras está novamente entre nós, ressuscitada da morte. Mais de mil congregações se reuniram novamente em torno das Confissões de nossa igreja e da América ecoa novamente o puro evangelho para muitos países, conquistando novos confessores da verdade, que se reúnem sob esta bandeira de nossos pais.

Outros milhares de milhares que já estavam prontos a abrirem mão da verdade, foram por essa luta, pelo menos parados no caminho do erro, e motivados a passo por passo retornarem ao caminho da verdade. A luta atual pela verdade está sendo ricamente abençoada, além do esperado e nossas orações, suplicas ouvidas além de nossa compreensão.

E mesmo se não fosse assim; e parecesse que a luta pela verdade em nossos dias e em nossa igreja fosse infrutífera e vã, mesmo assim não poderíamos parar de lutar. E por que não? – Por Deus o ter ordenado com palavras claras. Pois quem, entre outros textos, está fala a nós pelo apóstolo Judas, exortando todos os santos, isto é, todos os fiéis, a batalharem diligentemente pela fé que uma vez por todas foi entregue aos santos? Isto é o próprio e onipotente Deus. Pois os homens santos de Deus falaram movidos pelo Espírito Santo. (2 Pe 1.21) O que precisamos mais? Que pessoa ou anjo poderia, se Deus o ordenou, dizer: Não lutem mais?

E ao lutarmos firmados na ordem de Deus, poderíamos temer que nossa luta seja vã? Não! Nunca! O que Deus faz e ordena é abençoado no tempo e na eternidade. Como o próprio Siraque afirma: Luta até a morte pela verdade e o Senhor Deus combaterá por ti (Eclesiástico 4.28 - ou Siraque, livro apócrifo)

Portanto, não demos ouvidos àqueles que louvam a luta do passado pelo evangelho, mas não querem saber hoje de uma luta igual. Deus ordenou: Batalhar pela fé. Isto vale para todos, também para os nossos dias. Que o zelo, com o qual Lutero e seus fiéis colaboradores lutaram, inflame também hoje nossos corações. Não queremos entregar, covardemente, o que nossos pais por árduas lutas, com a Palavra, Escritura, sangue e lágrimas nos conquistaram; mas lutar corajosamente contra os ataques e defendê-lo até a morte. Não queremos considerar nenhuma verdade que nos foi revelada de somenos importância, permitindo falsificações. Lembrem: Um pouco de fermento levada toda a massa. (1Co 5.6) Não temam que por causa de nossa luta sejamos taxados de pessoas impiedosas e malvadas. Também Lutero e seus colaboradores experimentaram isso, e mesmo assim ainda hoje milhares de milhares desfrutam da bênção dessas lutas, enquanto eles já descansam nas sepulturas. Mostremo-nos não como degenerados, mas como verdadeiros filhos da Reforma, assim também quando nós, tendo virado pó e cinzas, nossos filhos, netos e bisnetos possam ainda desfrutarão as bênçãos destas lutas pela verdade.

Ainda que nosso nome, devido as lutas pela doutrina pura em nossa igreja, seja difamado entre as pessoas até o juízo final, mas, se perseverarmos fiéis na luta, sendo Deus verdadeiro e justo, por amor a Cristo, no dia do juízo final seremos coroados e entraremos na paz por toda a eternidade. Que alegria, que júbilo será quando nós pobres pecadores, desprezados aqui, repreendidos e odiados, seremos aceitos na incontável multidão dos santos, de Adão aos últimos lutadores que triunfam, diante do trono de Deus. Nestes termos ainda vos conclamo: Sigamos, pois o bom Senhor / com tudo o que nos temos; / e toda angústia, sem temor, / alegres suportemos. / Quem foge à luta aqui, perdeu / o prêmio eteno lá no céu. ( HL 319.7) 

Tradução: Horst R. Kuchenbecker
São Leopoldo, 28/10/2008

segunda-feira, 27 de outubro de 2008

O caso ELOÁ e a Vingança

"A vingança é um prato que se come frio", diz a frase popular.

Parece que foi seguindo esta frase que Lindemberg fez o que fez, desde o seqüestro até o assassinato de Eloá. Após dias de seqüestro, consumou, o que na sua ótica, chamou de vingança.

Com base no crime de Lindemberg muitos estão clamando pela pena de morte. Não quero neste momento emitir opinião sobre a pena de morte, mas quero chamar atenção para a ilusão e o equívoco que é agir por vingança.

Certa vez alguém disse que se aplicássemos de fato o "olho por olho, dente por dente" – viveríamos num mundo de desdentados e caolhos. Convém afirmar que a Bíblia não proíbe a pena de morte, mas proíbe a vingança. Os casos citados no Antigo Testamento, sobre vingança, pertenciam às leis civis de um povo, pertenciam à constituição de uma nação. Por isso, a motivação da legalização da pena de morte, ou qualquer outra pena, não deve ser o desejo de vingança, mas sim, o desejo de justiça, de ordem social.

Diante da morte da menina o povo se comove! Mas, o que se pratica no dia-a-dia? O que se incentiva? A vingança ou a prudência? Vejo pais e mães emitindo discursos fortes dizendo: "Meu filho(a), não leve desaforo para casa!" Vejo amigos semeando discórdias e atiçando brigas falando: "Eu não deixava assim! Tu vais agüentar tudo isso e não vais fazer nada?" Vejo, cada vez mais, mães e pais justificando atitudes erradas dos filhos na escola com base na vingança. Depois, alguém se acha no direito de tirar a vida de uma guria, simplesmente porque ela não queria mais namorar com ele, e nós não sabemos o porquê. Ora, ele foi vingativo, assim como a sociedade ensina por diversas formas. 

Ao contrário da maneira vingativa e maldosa do ser humano pensar, Jesus, o nosso Senhor e Salvador afirma: "Vocês ouviram o que foi dito: ´olho por olho, dente por dente´. Mas eu lhes digo: não se vinguem dos que fazem mal a vocês" (Mt 5.38-39). Igualmente o apóstolo Paulo, inspirado por Deus, escreve: "Não paguem a ninguém o mal com o mal... No que depender de vocês façam o possível para viver em paz com as outras pessoas. Meus queridos irmãos, nunca se viguem de ninguém; pelo contrário, deixem que seja Deus quem de o castigo." (Rm 12.17-19). Pois, a Deus pertence a vingança!

Comer o prato frio (como no caso da vingança) não é tão agradável. A comida quentinha (de uma vida em paz) é bem melhor! Comer bóia fria não é opção, é necessidade! Já a vingança é uma opção! Uma péssima opção! Tanto para aqueles que agem de cabeça quente, como para aqueles que agem com a cabeça fria! O melhor é lutar pela paz, cobrar justiça das autoridades competentes e colocar a vida nas mãos de Deus, pois Deus não quer se vingar de nossos erros, antes, quer nos salvar.

 Pastor Ismar Lambrecht Pinz

Pelotas, RS.

O “GENIUS” DO PENSAMENTO DE LUTERO


Quem é Deus e quando o conhecemos? Quem somos nós como Suas criaturas?

Martinho Lutero, por vários anos, passou horas de agonia lidando com essas duas perguntas. Ele nunca comentou sobre o seu estado mental quando estava lidando com o dilema da identidade de Deus e da sua própria identidade. Mas, duas coisas são certas: Ele via Deus como um juiz bravo, conforme era descrito em muitos dos altares em que estivera, diante de medo e medo. Ele via Cristo como alguém que descia sobre as nuvens com uma espada na mão esquerda bem maior do que o lírio de paz em seu peito direito. Ele também se via como um pecador que tinha que obter o favor de Deus com seus próprios esforços. Ele tinha que vencer com seu próprio esforço caso quisesse escapar do fogo da eterna ira de Deus.

Caminho para a salvação?

Como muitos outros de seu tempo, Lutero chegou a pensar que tornar-se monge o levaria a solução de seus problemas. Isso fez a coisa piorar. Sua inquietação e incerteza cresciam cada vez mais, e de forma insuportável. Mas tornar-se monge o levou a estudar a Escritura de forma não intencional. O Deus que se revelou em suas páginas o confrontou com a mensagem de Cristo sobre a cruz. Ao encontrar-se face a face com Deus sobre a cruz passa dominar as concepções de Lutero, tanto as de Deus quanto as dele mesmo. Ao pé da cruz, descobriu novas respostas para as questões sobre quem era Deus e quem somos nós como criaturas humanas.

Sem dúvida, Martinho Lutero reconheceu que tanto a bondade de Deus quanto nossa humanidade permanecerão um tanto que misteriosas. Pela primeira vez, Lutero começou a enxergar o que Deus realmente era e também o que significava ser sua criatura humana. Deus toma a iniciativa e se revela a nós pelo presente de Cristo na cruz. Desta maneira, Deus não pode ser conhecido por nós separado da sua relação conosco em Cristo. Igualmente, os seres humanos não desfrutam completamente de sua humanidade fora do temor, amor e da confiança em Deus que vem dialogar com eles como Jesus Cristo.

O encontro de Lutero com o Deus da cruz deu-lhe algumas percepções diferenciadas em nossa relação com Deus. Tais discernimentos podem ser chamados de seu "genius". Os romanos antigos convidavam o espírito que guiava e dirigia algo e concedia ao seu caráter o atributo de "gênio". A visão do reformador sobre Deus e a humanidade serviu como o "gênius" em sua forma de pensar.

Duas Deduções Importantes

Duas deduções em particular permearam o pensamento de Lutero sobre Deus que orientou sua leitura sobre a Escritura. Um deles estava no que significava para Deus para ser Deus e o que quer dizer criatura humana, que veio a ser chamado de "as duas espécies de justiça", ou duas dimensões do ser humano. A outra dedução se preocupava como essas duas dimensões eram estabelecidas e orientadas. Neste tópico, Lutero sustentou que Deus se ocupa da humanidade na conversação conforme Ele vem falar conosco mediante a Palavra que se fez carne, Jesus de Nazaré, e por meio de sua Palavra, a qual nos é dirigida em sua forma oral, escrita e sacramental.

A distinção entre os dois tipos de justiça surgiu enquanto Lutero lidava com a pergunta: "O que pensa Deus de mim?". Por muito tempo, ele duvidou seriamente se já poderia se encontrar no céu na qualidade de um filho amado de Deus. Por quê? A maioria dos cristãos em seus dias acreditava que nossa identidade repousava sobre a maneira como praticamos a vontade de Deus diariamente. Eles sabiam de alguma maneira que nós somos pecadores, mas também, eles acreditavam que Deus dava sua graça (como esteroides espirituais) de forma que poderíamos abandonar os pecados anteriores, e assim, viver de tal maneira o quanto possível para agradar a Deus com o bem que fazemos. Deus considera o seu povo como o povo dele porque ele se comporta como seu povo.

Os instrutores de Lutero ensinaram-no que Deus concede sua graça somente àqueles que fazem o seu melhor por meio de seus próprios esforços. Em outras palavras, Deus ajuda aqueles que se ajudam. O foco, sobre quão bem se dedicava, colocou um fardo sobre Lutero. Este ônus destruiu sua esperança e alegria, a sua faculdade de amar a Deus e sua capacidade de servir outras pessoas por causa seus professores. Ao contrário, Lutero estava sempre calculando como a sua caridade poderia ser boa para Deus. Ele não pôde confiar em seus próprios esforços para ser justo ou digno, conforme a visão de Deus. Suas tentativas de fazer a vontade de Deus sempre o derrubaram repentinamente. Isso o conduziu ao terror e pânico.

Deus então fala a Lutero a partir das páginas da Escritura com uma mensagem totalmente diversa do que ele tinha aprendido na universidade. Como um típico monge medieval, Lutero tinha bastante contato com a Bíblia. Os monges recitavam os Salmos diariamente e ouviam passagens de outros livros na hora das refeições. A luz alvoreceu para Lutero, como se fosse a primeira manhã, quando sua leitura da Escritura revelou que Deus cria e resgata a humanidade sem condição ou exigência alguma, simplesmente porque Ele é gracioso e a ama.

Lutero entendeu essa mensagem do Evangelho de tal maneira que o levou a diferenciar as duas dimensões da vida humana. Em sua relação com o criador, ele apenas podia receber o dom da identidade como amado filho do Pai Celeste. E em sua relação com o resto da criação, ele era chamado por Deus para agir como um irmão.

Ele chamou esse presente da identidade como filho de Deus como justiça passiva, "a retidão dada por outra pessoa". Deus nos dá uma nova identidade como seus filhos quando Ele nos ama em Cristo Jesus e nós confiamos nele por causa deste amor. Lutero chamou a ação que Deus espera de seus filhos como justiça ativa, "a justiça que eu me faço". Deus guia nossa vida dentro da criação ao nos dar instruções sobre a maneira como lidamos com seus dons humanamente dentro de chamados ou lugares onde Ele deseja que sirvamos.

Deus estabelece as duas dimensões de nossa humanidade em seus devidos lugares por meio de sua palavra. Primeiro, Ele fez em sua Palavra criativa conforme deu forma a vida humana. Ele então, (re)estabeleceu nossa humanidade mediante a Sua Palavra (re)criativa que nos chega em Cristo e nos é entregue pela Escritura. Esta Palavra toma forma em nossa proclamação e testemunho, na própria Escritura, em outros escritos que repetem e refletem ensino bíblico, nos Sacramentos do Batismo e da Ceia do Senhor. Deus é, por natureza, um Deus criador, e ele cria ao falar. Assim, as suas criaturas humanas apenas o conhecem à medida que Ele vem conversar com elas. O verbo se fez carne (Jo 1.14) e veio até nós, como "presente" e "exemplo".

Uma nova identidade

Pela cruz e ressurreição de Jesus, Deus dota-nos de uma nova identidade. Quando a Palavra de Deus chama-nos para longe de basear nossas vidas sobre algo que Ele criou – coisas temporais de nossas vidas - ao invés do próprio Criador, Cristo toma-nos consigo em seu sepulcro. Esta morte para as maneiras pecaminosas acontece decisivamente quando o Evangelho de Cristo nos reclama primeiro, que acontece quando nós estivermos escutando o testemunho de um amigo ou sendo batizados como um bebê. Pela Palavra, Lutero ensinou, Deus põe nossa velha e pecaminosa identidade na tumba de Cristo. Por meio da Palavra Deus nos dá um novo nascimento (João 3.5) e nos liga com Cristo em sua ressurreição. Essa promessa de uma nova vida em Cristo agora determina nossa existência. Fomos ligados a ressurreição para andar em seus passos (Romanos 6.4). Pois Lutero cria que Jesus não somente revela Deus a nós (João 1.18), como também revela o que significa ser humano. Isto significa seguir seu exemplo.

Exatamente por isso, Lutero tinha dois objetivos quando subia ao púlpito: Ele queria ensinar e admoestar. Pelo ensino, ele procurava aplicar a Lei de Deus (que exige nossa justiça) e a do Evangelho de Deus (que livra-nos do pecado e nos concede a promessa de Deus de uma nova vida em Cristo). Já com a admoestação, havia a segurança da promessa, ele procurava mover as pessoas a confiar em Cristo como seu Salvador e que vivessem como filhos de Deus. O ensino trazia a palavra de Deus sobre a nova vida aos ouvidos de seus paroquianos. A admoestação traduzia a promessa na vida diária do povo de Deus e como eles viveriam o Seu amor em função dos outros.

Assim Lutero e seus estudantes proclamavam esta mensagem de Jesus Cristo aos seus paroquianos. Assim o espírito, a genialidade das deduções análogas na natureza de Deus e na do homem de Lutero, guiou ele e o manteve em sua interpretação da Palavra de Deus na Escritura. Lutero descobriu quem era ele como filho de Deus ao descobrir quem era Deus quando se dirigiu à cruz e reclamou Sua vida humana por meio da ressurreição. Em Cristo, Lutero concluiu que era mesmo filho de Deus. Portanto, ele estava determinado a viver sob Ele e sob seu governo, e servi-lo em eterna alegria e paz que origina do conhecimento que ele pertencia a Deus por meio de Jesus Cristo.

Robert A. Kolb and Charles P. Aran.
In: Lutheran Witness, Outubro, 2008.
Tradução: Pastor Aragão.

Vida Santificada em 1 Pedro - Estudo Bíblico

Para estudarmos o tema SANIFICAÇÃO, se faz necessário entender bem o tema JUSTIFICAÇÃO.

JUSTIFICAÇÃO e SANTIFICAÇÃO, aqui estão duas doutrinas BÍBLICAS que diferenciam a IELB de todas as outras denominações cristãs. 

 

O que é JUSTIFICAÇÃO? justificação pela fé nada mais é que o perdão de nossos pecados, ou a salvação pela graça.

 

E o que é SANTIFICAÇÃO?

- Ez 11.19,20; Rm 12.2: ______________________________________________________

- Gl 5.24; Rm 6.4; 7.18-23:____________________________________________________

- Tg 2.17; Jo 15.5,8: _________________________________________________________

- 1 Ts 4.3; Hb 12.14; 1 Pe 1.16_________________________________________________

 

Reparem nesta frase. O que está errado?1

"Porém Deus uniu vocês com Cristo Jesus e fez com que Cristo seja a nossa sabedoria. E é por meio de Cristo que somos aceitos por Deus, nos tornamos o povo de Deus e somos salvos." 1Co 1.30

1°) Sabedoria: ____________________________________________________

2°) Justiça: _______________________________________________________

3°) Santificação: ___________________________________________________

 

JUSTIFICAÇÃO:

- Deus agindo em nós

- Rm 3.23 e 24:

- somos carentes, miseráveis, necessitados;

- da graça: dom de Deus

- justiça: transforma de injustos em justos

- redenção: em Cristo: resgate (valor pago em favor de alguém) 

- Qual foi o preço pago? I Pedro 1.18-19: _______________________________________________

- O que aconteceu conosco? Colossenses 1. 13-14: _______________________________________

- Qual a nossa contribuição neste pagamento? Efésios 2.8-10: ______________________________

- Que mudança recebemos? 1 Pedro 1.3:________________________________________________

- 1 Pe 2.9: ________________________________________________________________________

 

VIDA SANTIFICADA EM 1 PEDRO

O Apóstolo Pedro, juntamente com Tiago, são aqueles que mais chamam o povo de Deus para uma vida santificada, dentro de um mundo, que nem sempre, ou nunca, oferece condições de uma vida voltada para Deus.

A verdade é que eles entendem, que uma vez dentro da família de Deus, dentro do Reino do Filho, A POSTURA, daquele que foi resgatado, em relação ao mundo em que se vive, muda, já que não se pode mudar ou fugir deste mundo.

Ninguém mais do que o apóstolo Pedro conhece as pressões deste mundo, sobre àqueles que querem seguir a Jesus no seu Reino.

Por ocasião da prisão e condenação de Jesus, ele sentiu na pele, melhor, no coração (Lc 22.54-59) o que é ser "acuado" pelo inimigo. "Pedro tomou lugar entre eles". Assentou-se junto com os do mundo (Salmo 1.1)

 

SAUDAÇÃO:

Esta primeira carta de Pedro foi escrita aos cristãos "eleitos" da diáspora ou dispersão (conjunto de judeus que viviam espalhados em países fora da Terra Santa, Israel). As cidades citadas são localizadas no norte da Ásia, hoje Turquia.

v 1.2: eleitos_______________________________________________________________

v 1.2: aspersão_____________________________________________________________ 

 

VIVA ESPERANÇA E PROVAÇÕES:

v 1.3: viva esperança_________________________________________________________

v 1.6-7: provações___________________________________________________________

 

VIDA SANTIFICADA

1. EU E DEUS/CRISTO:

1.15-16: ser santo como Deus (2 Co 7.1; Ef 1.4) ________________________________________________

2.4: chegando-se a Cristo (Jo 14.23; Gl 3.27; MT 26.27-28) _______________________________________

2.17: temendo a Deus (Pv 14.1-2; Hb 12.28) ___________________________________________________

3.15: santificando a Cristo no coração (Mt 12.34; 15.8; 15.18) _____________________________________

3.16: bom procedimento em Cristo (Tg 3.13) ___________________________________________________

 

VIDA SANTIFICADA EM 1 PEDRO

2. EU E EU: 

1.14: não amoldar-se às paixões da ignorância (2Pe 2.20-22) ______________________________________

2.1: despojar-se da maldade, do dolo, da hipocrisia, da inveja da maledicência (Ef 4.22; Cl 3.8-9; Tg 1.21) 

________________________________________________________________________________________

2.5: ser sacerdócio santo, oferecer sacrifícios espirituais agradáveis a Deus

1Pe 1.1: _________________________________________________________________________________

1Pe 1.15: _____________________________________________________________________________

1Pe 1.17: _____________________________________________________________________________

1 Pe 1.21: _____________________________________________________________________________

2.11 abster-se das paixões carnais (Gl 5.17,24; Tg 4.1; Gl 5.19-ss) _________________________________

2.24: viver para justiça (Rm 6.2-11) __________________________________________________________

4.2 não viver segundo as paixões humanas ____________________________________________________

4.7: ser criterioso e sóbrio (1Pe 4.7-11) _______________________________________________________

 

ARMADURA DO CRISTÃO  EFÉSIOS 6 

 

VIDA SANTIFICADA EM 1 PEDRO 

3. EU E MINHA FAMÍLIA: 

1 Pe 3.1-6 (Esposas)

- v.1 - submissas: (Ef 5.21-24):_____________________________________________________

- v.1 e 2 - bom procedimento/comportamento (1Pe 3.16): _______________________________

- v.3 e 4 - coração incorruptível: ____________________________________________________

- v.4 - manso e tranqüilo:__________________________________________________________

- v.4 - santas mulheres:____________________________________________________________

1 Pedro 3.7 (Maridos)

- vida comum do lar com discernimento (1Ts 4.4-5):___________________________________

- consideração com a parte mais frágil:______________________________________________

- tratar esposas com dignidade (Ef 5.25; Cl 3.19)______________________________________

1 Pe 5.5-8 (Jovens)

- submissos aos mais velhos: _______________________________________________________

- humildes uns com os outros: _____________________________________________________

- confiar em Deus na ansiedade: ____________________________________________________

- sóbrios e vigilantes: _____________________________________________________________

 

4. EU E OS IRMÃOS NA FÉ: 

2.17 - amar os irmãos: (Mt 22.34-40)________________________________________________

4.8 - amar com amor intenso: ______________________________________________________

4.9 - ser hospitaleiro: _____________________________________________________________

4.10 - seguir com dons_____________________________________________________________

4.11 - falar e seguir conforme a vontade de Deus: (Is 29.13; Tg 2.17-26) ___________________

5.14 - saudar-se com ósculo de amor________________________________________________


Pastor Saymon Gonçalves

Jo 8.31-32 e Rm 3.28 - Reforma

A Igreja Evangélica Luterana do Brasil (IELB) afirma em seus Estatutos, Artigo 3, que "aceita todos os livros canônicos das Escrituras Sagradas, do Antigo e do Novo Testamento, como palavra infalível, revelada por Deus. Como única exposição correta da Escritura Sagrada, aceita os livros simbólicos da Igreja Evangélica Luterana, reunidos no Livro de Concórdia, de 1580, e não admitirá alteração alguma desta norma."

Com isto nós nos consideramos verdadeiros herdeiros da Reforma. Somos gratos a Deus e o louvamos por ter dado e preservado esta verdade em nosso meio.

Para que esta verdade não seja somente uma confissão no papel e de nossos lábios, mas do coração, vamos rever os três pilares da Reforma e qual o nosso compromisso com estas verdades.

I - Parte

Os três pilares da Reforma são: Somente a Escritura, somente por graça, somente pela fé.

A doutrina luterana e sua confissão não contêm, em si, novidades ou coisas bem especiais inventadas por Lutero. Novidades podemos encontraremos em outras religiões ou seitas.

A doutrina luterana tem sua base na Escritura Sagrada. Dai o primeiro pilar: Somente a Escritura. Só e unicamente a Escritura, a palavra escrita de Deus é a única norma para a fé e a vida. Isto precisou ser reafirmado, pois a Igreja Católica na época e ainda hoje, mesmo afirmando ser a Bíblia a palavra de Deus, afirmam que somente o Papa de Roma e os Concílios têm a autoridade para interpretá-la corretamente. Assim acrescentam suas tradições à Bíblia. Lutero mostrou que Papas e Concílios têm errado. Por isso Lutero afirmou em Worms diante do Imperador, príncipes e Cardeais: "A não ser que eu seja convencido pela Escritura, não posso revogar."

Poucos anos depois surgiu outra luta. O pregador suíço, Zwinglio, que no início concordou com Lutero, mas depois se desviou da verdade. Lutero notou com espanto e tristeza que Zwinglio colocou a razão humana como juiz supremo sobre a Bíblia. No ano de 1629, os dois se encontraram em Marburgo para um debate. O mesmo girou em torno da pergunta: Podemos confiar nas palavras de Jesus: "Isto é o meu corpo, isto é o meu sangue, dado e derramado por vós para remissão dos pecados." ou devemos interpretá-las simbolicamente? Porque a razão humana não pode compreender como o verdadeiro corpo de Cristo pode estar presente em todo o mundo na celebração da Santa Ceia. Lutero defendeu que a razão humana não é juiz da Palavra é soberana e confiável, quer eu a compreenda ou não.

Após diversas lutas o pilar da Reforma foi firmado e estabelecido: Só e unicamente a Palavra é norma na igreja para a fé e vida.

O segundo pilar é: Somente por graça, isto é, somos salvos somente pela graça de Cristo sem as obras da lei. Isto porque a igreja Católica na época e ainda hoje, ensina que Cristo fez a sua parte e nós temos que fazer a nossa parte, completar a salvação por nossas obras. Somos salvos pelos méritos de Cristo e nossos. Lutero mostrou que nossas obras, por mais nobres que sejam, são todas imperfeitas e não subsistem diante do tribunal de Deus, se não forem purificadas pelo sangue de Cristo.

Cristo, como substituto de toda a humanidade, cumpriu a lei perfeitamente, por seu sofrer e morrer na cruz, pagou pelos pecados de toda a humanidade, e ao ressuscitar dos mortos, o Pai demonstrou que aceitou o sacrifício de Cristo, e que Cristo triunfou sobre nossos inimigos: pecado, morte e Satanás. Com isto estava firmado o segundo Pilar:  Somente pela graça de Cristo, baseados nas seguintes afirmações da Escritura: 

Porque Deus amou ao mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo o que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna. (João 3.16 RA) 

-  Porque pela graça sois salvos, mediante a fé; e isto não vem de vós; é dom de Deus;  não de obras, para que ninguém se glorie. (Efésios 2.8-9 RA)

Deus estava em Cristo reconciliando consigo o mundo, não imputando aos homens as suas transgressões, e nos confiou a palavra da reconciliação. (2 Coríntios 5.19 RA)

O terceiro pilar trata da fé. Somente pela fé. Os entusiastas da época e ainda hoje, ensinam que a Escritura é a palavra de Deus e que somos salvos pela graça de Cristo por fé. Mas quanto à fé, eles ensinam que ela é uma decisão da pessoa, um decidir-se por Cristo, uma ação humana e com isto uma boa obra. Eles fazem a salvação depender desta obra da decisão. E por a salvação depender da ação humana, negam o batismo de crianças.

Firmado na Bíblia, Lutero ensinou claramente que somos espiritualmente cegos, mortos e inimigos de Deus. Ninguém pode crer por própria força. Por isso confessamos com Lutero na explicação do terceiro artigo do Credo: Creio que por minha própria razão ou força não posso crer em Jesus Cristo meu, senhor nem vir a ele. Mas o Espírito Santo me chamou, iluminou com seus dons e me conserva na única fé verdadeira. (1Co 2.14; Ef 21.5; Rm 8.7; 1Co 12.3)

Assim foi firmado o terceiro pilar: Somente por fé que o Espírito Santo opera, gera, cria e mantém pelos meios da graça, Palavra e sacramentos: batismo e santa ceia.

Sobre estes três pilares repousa a doutrina da Reforma Luterana, firmados unicamente na Escritura.

Nesta doutrina remos verdadeiro consolo na aflição. Ela enche nosso coração de paz e esperança da vida eterna.

II - Parte

E agora? Qual é o nosso compromisso com esta verdade?

O apóstolo Judas Tadeu escreve em sua carta: Amados, quando empregava toda a diligência em escrever-vos acerca da nossa comum salvação, foi que me senti obrigado a corresponder-me convosco, exortando-vos a batalhardes, diligentemente, pela fé que uma vez por todas foi entregue aos santos. (Judas 1.3 RA)

Judas nos exorta a "batalharmos diligentemente pela fé que uma vez por todas foi entregue aos santos."

Por que esta admoestação? Isto porque a palavra de Deus, como no tempo de Jesus e dos apóstolo, já foi considerada loucura e escândalo, assim o é ainda hoje. Hoje a mensagem da cruz está sendo atacada e criticada fortamente por pessoas que se chama cristãos. Eles a  questionam, distorcem com  armentos dos mais variados. Um dos principais é: Vivemos em outro tempo. Hoje não podemos mais aceitar esta palavra como ela. Não nos deixaos enganar Importa vigiar e orar.

Como se faz isto? Em primeiro lugar importa conhecendo bem esta verdade. Isto requer a leitura da Bíblia, a leitura de nosso Catecismo e se possível da Confissão de Augsburgo e da Fórmula de Concórdia, para nosso próprio consolo e para podermos testemunhar a outros, neste mundo em trevas e confusão.

Em segundo, importa lutarmos tanto interna como externamente por esta verdade doutrinária. Vocês vão ouvir muitas vozes, até em nosso meio, que querem nos desencorajar nesta luta. Eles dizem: No tempo de Lutero isto foi necessário, mas hoje vivemos em outros tempos. Tempo de paz e amor. Temos que deixar esta luta que só traz mais e mais divisões. Basta alguém conhecer o amor de Cristo, as outras doutrinas são de pouca importância, e assim por diante. Não. O apóstolo Judas nos mostra que a fé (a doutrina) nos foi entregue. A nós cabe administrá-la como bons mordomos de Cristo. Não temos o direito de abrir mão desta ou daquela doutrina. Não nos deixemos enganar.  

Por isso o próprio Jesus nos diz: Venho sem demora. Conserva o que tens, para que ninguém tome a tua coroa. (Apocalipse 3.11 RA) Queremos batalhar com fidelidade pela doutrina que Deus nos deu e conservou em nosso meio através de nossos pais.

Apegar-nos a ela para nosso consolo. Ensiná-la em nossa família e zelar para que em nossa congregação ela seja claramente ensinada para bênção de nossos filhos, netos e bisnetos, sim até a vinda de Cristo.

Neste espírito queremos festejar a Reforma luterana, com júbilo, gratidão e renovado apega à verdade e fiel testemunho. Amém 

São Leopoldo, 27/10/2008

Horst R. Kuchenbecker