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sexta-feira, 13 de junho de 2008

Mateus 10.34-42. O Príncipe da paz traz a espada.

Introdução

     É um texto impressionante. É palavra do Senhor Jesus. É palavra para nós. Como vamos entender. O Príncipe da paz traz a espada.

     O evangelho de Mateus é o evangelho do discipulado. Jesus escolhe e chama seus discípulos e os prepara para o trabalho missionário. Temos muito a aprender com todos esses capítulos.

     Vivemos numa época em que as pessoas querem encher igrejas a qualquer custo. Por isso precisamos nos perguntar: Qual é a ordem missionária? Como se faz missão? Ouçamos, portanto, a respeito do verdadeiro objetivo da missão de Cristo e de como os discípulos devem executá-la.

     Isto este evangelho sobre o: O Messias traz a espada e divide, nos quer ensinar.

1. O Evangelho que divino.

     Onde Cristo é proclamado corretamente, ali surgem, imediatamente, divisões. O grupo que crêem em Cristo e o grupo que o rejeitam. A razão dessa divisão entre as pessoas é Cristo. Por isso Jesus afirma: Não penseis que vim trazer paz à terra; não vim trazer paz, mas espada. (Mt 10.34 RA)

     Isto me lembra um fato. Uma senhora fez profissão de fé em nossa comunidade. Ela estava alegre pela paz que encontrou na graça de Cristo. Imaginava que daqui para frente sua vida seria uma vida de paz e alegria. No seu primeiro a amor a Cristo, testemunhava corajosamente. Mas após alguns meses, ele nos disse: Encontrei a paz em Cristo, mas arranjei muitos problemas em meio à minha família, entre minhas amigas e até no prédio no qual resido. Lembramos a ela o presente texto. 

    Jesus, o Messias, o Príncipe da paz, traz a espada. (Mt 10.12,13) Ele não traz uma espada simples, material, mas a espada da Palavra. Jesus não nos trouxe uma paz material, elaborada por meio de consensos. Cede aqui e cede ali, para se chegar a um meio termo. Ele traz a paz que destrói do pecado, que vence a morte e confere a paz pela nova vida por sua ressurreição. Assim separa para si um povo que o escuta e o ama.    

     As pessoas, no entanto, amam o pecado e estão inclinadas para o mal. Isto os exclui da paz de Deus. Jesus veio para libertá-las desta escravidão de Satanás, do poder do pecado e da culpa, a fim de reconciliá-los com Deus. Lemos na carta aos Hebreus: Porque a palavra de Deus é viva, e eficaz, e mis cortante do que qualquer espada de dois gumes, e penetra até ao ponto de dividir alma e espírito, juntas e medulas, e é apta para discernir os pensamentos e propósitos do coração. (Hb 4.12) Desta forma, a palavra de Deus, pela qual o Espírito Santo atua, quer conduzir ao arrependimento e consolar com a graça de Cristo. Esta palavra é poder de Deus para regenerar, dar vida e libertar.

     Mesmo assim esta palavra é resistível. Estevão diz ao Sinédrio: Homens de dura cerviz e incircuncisos de coração e de ouvidos, vós sempre resistir ao Espírito Santo; assim como fizeram vossos pais, também vós o fazeis. (At 7.51) Assim a Palavra leva a uma decisão. Sua mensagem é paz para os que se arrependem e crêem, mas para os que resistem e não se arrependem, esta mesma mensagem é juízo e julgamento.

     Vamos repetir para compreendê-lo bem. Nascemos em pecado. Somos, por natureza, inimigos de Deus. Nosso coração está inclinado para todo o mal, dele brotam, constantemente, toda a sorte de maus pensamentos e inclinações. A palavra de Deus que penetra divide, isto é, ilumina o coração, leva ao reconhecimento do pecado e conduz ao arrependimento, ao reconhecimento dos pecados. Quando a consciência é despertada pela lei, a pessoa não encontra consolo em nenhuma outra coisa do que somente na graça de Cristo, que o evangelho anuncia.

     O evangelho é a boa notícia do perdão dos pecados, que liberta, que nos dá um novo coração. A notícia que gera a fé e restabelece a comunhão com Deus. Toda a pessoa que se arrepende de seus pecados e crê na graça de Cristo, recebe perdão dos pecados, vida em comunhão com Deus e a vida eterna. A pessoa que renasce pela fé em Cristo, é tirada da escravidão de Satanás, libertada do poder da morte e do poder do pecado. Esta pessoa desfruta da paz que Cristo lhe dá, jubilam e passam a amar a Deus e o próximo.

     Assim a fé no perdão de Cristo cria uma linha divisória. Esta linha se revela pela renúncia ao pecado, não só de um e outro pecado, mas de todos os pecados. E tem o firme propósito de seguir a Cristo. Esta linha pessoal no coração se manifesta na vida. E visto ser uma divisão absoluta, decisão de renúncia, ela se manifesta em todas as relações humanas, na família, na vizinhança, no trabalho, na sociedade.

         Sendo Cristo a única luz, a única vida, o único libertador, (Mt 1.21; 4.16) não há possibilidade de uma fidelidade dividida entre ele e qualquer outra pessoa ou coisa, tais como pai, mãe, filho, filha, honra e vida.

    Por isso Jesus afirma: Assim, os inimigos do homem serão os da sua própria casa. Quem ama seu pai ou sua mãe mais do que a mim não é digno de mim; quem ama seu filho ou sua filha mais do que a mim não é digno de mim; e quem não toma a sua cruz e vem após mim não é digno de mim. (Mt 10.36-38) O que significam estas palavras? Frequentemente, nós encontramos situações assim. O pai crê e a mãe não, ou vice-versa. Hoje também é muito comum que os pais ainda crêem, mas os filhos não. A parentela está dividida em cristãos de diversas religiões cristãs, não cristãs e descrentes. Isto é uma situação difícil. Não podemos simplesmente sair pela tangente e dizer: Bem, cada um na sua. É problema de cada um. Não! A nós cabe, em amor, testemunhar a eles de Cristo. Cabe nos dizer a verdade. Isto causa atritos, separa as pessoas muitas vezes. Por isso Melanchton que buscou com grande esforço a unidade do cristianismo, mas vendo muitos de seus esforços inúteis. Sim, muitos se separaram dele, por causa do seu testemunho na proclamação da palavra de Deus. Ele disse: “Que suplício, ficar separado e ser odiado por tantos amigos, por causa do Evangelho.”

     E não é só estar separado de amigos. A tentação de apegar-se também à vida neste mundo, às coisas materiais é muito forte. Mas apegar-se a uma vida sentenciada de morte é rumar para a morte. Por isso, se for necessário perder a vida, e/ou muitas alegrias materiais desta vida, por amor a Cristo, queremos fazê-lo com alegria, pois é deixar a vida sentenciada de morte e achar a verdadeira vida em Cristo. Como Jesus o afirmou: Quem acha a sua vida perdê-la-á; quem, todavia, perde a vida por minha causa achá-la-á. (Mt 10.38-39)

    Realmente, Jesus não é um Deus soft, como muitos gostariam de vê-lo. Amor, amor, amor, paz e felicidade, mas ele também é santo e justo, que ameaça, castiga e condena; ao mesmo tempo, ele é um Deus que ama, que sacrificou seu próprio Filhos em nosso favor, que nos chama ao arrependimento e à fé.

     Igualmente seus apóstolos não são beatos santos que olham suave para o céu, mas foram chamados para serem soldados de Cristo, que lutam por esta causa. Por isso o apóstolo Paulo escreveu a seu discípulo Timóteo: Participa dos meus sofrimentos como bom soldado de Cristo Jesus (2 Tm 2.3)

Promessas de Jesus para a missão dos discípulos

     Após isto, Jesus encoraja seus discípulos. Eles são mensageiros da paz, pregadores do evangelho, da boa nova do amor de Deus. De que Cristo reconciliou a humanidade com Deus e lhes confiou a palavra da reconciliação: Deixai-vos reconciliar com Deus. (2 Co 5.19-20) Eles chamam as pessoas ao arrependimento e a confiarem no perdão que há em Cristo, para serem aceitos por Deus como filhos e voltarem, pela fé, à comunhão com Deus, desfrutando da verdadeira paz.

     Nisto, no entanto, não devem estranhar quando não são compreendidos pelo mundo que anda em trevas. Sim, não só não serem compreendidos, mas rejeitados, odiados e levados ao martírio. Em tudo isso devem ser corajosos e ousados na proclamação da verdadeira paz e da vida eterna, como servos de Cristo. Como seu mestre foi odiado, eles também o serão.

     Ao mesmo tempo, Jesus os protege da ilusão de pensarem que irão salvar o mundo, modificar o mundo, trazer ao mundo uma paz social e felicidade material. Dá-lhes porém, a ordem e promessa de proclamarem o reino de Deus a todos e assim alguns serão salvos. Estes alguns serão em alguns lugares e tempos muitos e em outros lugares e tempos um pequeno rebanho, que não devem temer.

     Todos nós conhecemos esta verdade e a experimentamos muitas vezes na carne e na própria família. Como gostaríamos que todos chegassem ao pleno conhecimento da verdade e à mesma fé, para serem salvos. Mas muitos resistem obstinadamente, outros por leviandade e amor ao mundo adiam o momento e perdem a oportunidade da salvação. Como Jesus chorou sobre Jerusalém, dizendo: Ah! Se conheceras por ti mesma, ainda hoje, o que é devido à paz! Mas isto está agora oculto aos teus olhos, (Lc 19.42) por culpa deles próprios.

    Então Jesus acrescentou uma bela promessa: Quem vos recebe a mim me recebe; e quem me recebe, recebe aquele que me enviou.  Quem recebe um profeta, no caráter de profeta, receberá o galardão de profeta; quem recebe um justo, no caráter de justo, receberá o galardão de justo.  E quem der a beber, ainda que seja um copo de água fria, a um destes pequeninos, por ser este meu discípulo, em verdade vos digo que de modo algum perderá o seu galardão. (Mateus 10.40-42 RA) Ele os selou com a promessa de que ninguém que prestou serviços na missão de Deus, e a seus mensageiros, serviu em vão. As obras mais insignificantes serão altamente recompensadas, na eternidade, mesmo as mais simples como o alcançar um copo de água a um cristão. E os conclama a testemunharem. Diz que como ele, Jesus, eles serão perseguidos e odiados, mas não devem temer. Cristo estará ao lado deles em todos os momentos, para ampará-los, fortalecer e livrar.

Conclusão

    Quando chegamos à fé na graça de Cristo, somos libertados da escravidão de Satanás e enxertados na família de Deus. Então passamos a nos empenhar, com dedicação e fidelidade nos trabalhos do reino de Deus, e não devemos estranhar as dificuldades que brotam de todos os lados, mesmo inimizades dentro da família. Satanás procurará levanta contra nós nossos próprios familiares, amigos e os incrédulos em nossa volta. A luta será árdua. Nisto aproveitará também as fraquezas e incompreensões dos próprios irmãos na fé. Nestes momentos precisamos vigiar nosso próprio coração, para que o mesmo não nos engane. Em segundo lugar ter compaixão com as fraquezas dos irmãos e estar sempre pronto a perdoar, interpretar tudo da melhor maneira, reerguer. Em terceiro lugar amar nossos inimigos. Em quarto lugar não sonhar com grandezas e belezas bombásticas da Igreja cristã. Mas proclamar humildemente e com fidelidade a  palavra de Deus. Que Deus nos fortaleça para tanto. Amém. 

São Leopoldo, 13/06/2008

Horst R. Kuchenbecker

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